Ao invés de falar sobre a Ignorância como Imperativo Moral, vamos falar hoje sobre Medo. Sentimento primordial e filho da puta (como a maioria dos outros) do ser-um-mano.
Uma das principais matérias primas do medo é o desconhecido. Tem-se medo do que não se conhece e/ou não se entende. É por isso que algumas crianças têm medo do escuro. É por isso que alguns adultos têm medo do futuro.
Porém, o medo nesses dois estágios da vida é ligeiramente diferente, presumo. A criança tem medo do escuro pois, além de não conhecê-lo, não consegue dominá-lo (e nem o tenta). Sob as luzes, o mundo é uma extensão da própria existência da criança. Ela é o seu senho. Tudo é feito para o seu prazer e mediante sua aprovação. Não é possível ter medo do que se domina. E a criança domina o mundo.
Os adultos, provavelmente por acharem que já entenderam tudo que se tem pra entender sobre o mundo e considerarem tudo aquilo muito chato, fabricam seus medos por pensar demais em determinada situação. Eles já não têm tanta certeza (ou melhor, já perderam as esperanças de) que dominam o mundo, então começam a formular crises hipotéticas nas suas cabecinhas. Ou elas podem simplesmente ter medo de picles e pêssego e do homem de bolas de algodão.
O meu medo?
Que o bimilésimo oitavo ano do calendário cristão seja uma reprise do milésimo novecentésimo nonagésimo oitavo ano do calendário cristão.
Também tenho medo de não escrever certo esses bendidos numerais ordinais.