Muito bonito

By Mucioli

Um tanto quanto conveniente voltar pra cá assim, sem mais nem menos, e achar que vai ficar tudo bem.

É como aquelas crianças (?) que só lembram de rezar quando estão encrencadas. Nem querem saber se o fantasma de barbas brancas está ali ou não, mas à menor merdinha já fecham os olhos e começam a falar-sem-falar.

Mas eu entendi qualé o problema. O problema, porque a bosta eu já expliquei há alguns posts.

Certa vez li uma resenha quilométrica de um jogo que eu nunca joguei – mas pretendo, um dia – e me deparei com uma discussão surpreendentemente profunda sobre a origem do rock. Não a história, mas a inspiração pra se fazer rock.

O autor fez essa indagação ao seu interlocutor. E esse respondeu “é da raiva, óbvio”.  Opinião do qual o primeiro discordou, assim como eu.

O rock, explica, não vem da raiva – vem da tristeza. O rock vem da angústia. Da explosão de algo que você não consegue expressar muito bem só falando nela. Você precisa cantar, guitar, transformar isso em sentimento.

Eu não sei fazer rock, literalmente falando. Mas nisso somos parecidos: só a tristeza me faz criar coisas. Não é inconformidade, não é se sentir incomodado. É tristeza, melancolia. É ter que fazer alguma coisa pra se fazer relevante aos olhos do universo mais uma vez.

E como em outras realizações importantíssimas, percebi isso tomando banho. Enquanto tentava entender porque a água ficava gelada de repente.

Água gelada. Na cabeça. Rá rá.

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