Outro dia uma menina que estuda comigo disse que eu parecia o pai dela falando. Isso porque, alguns instantes antes, eu mandei um “da próxima vez, aprende”, motivado por uma cagada feita pela própria. Cagada leve, mas cagada mesmo assim.
Acredito, portanto, que o gene tiozão já esteja desperto, pelo menos parcialmente, em alguma parte do meu ser. Meu gene Zé, mesmo que eu esteja ainda relativamente longe da idade de ser um.
Não sou, porém, um tipo de proto-tiozão a la Gatão de Meia Idade, ou daquele coro de velhos imbecis daquele comercial de uma marca de carros cujo nome me foge à memória. Aquele The Uncles ou coisa do tipo. Negócio estúpido. Sempre usei a seguinte imagem pra ilustrar minha velhice: eu, velho, de bengala, suéter e boina (e calças, obviamente) sentado numa cadeira de balanço na varanda de uma casa. Um outro velho do lado. Ele viraria pra mim e diria:
- Lembra quando as coisas eram boas?
e eu responderia:
- As coisas nunca foram boas.
Felizmente, parte desse plano de vida foi cancelado, devido à presença de alguém que por vontade própria (vejam só que coisa) decidiu entrar na empreitada de tornar um chato não tão chato assim. E sou bastante grato por isso.
De qualquer forma, o prospecto de uma zézice precoce não me entristece ou assusta tanto quanto deveria. Ao contrário: se já sou meio zé desde já, isso quer dizer que a idade de ser um velho aporrinhador full fledged também vai chegar mais cedo. E isso seria demais, não?
Talvez não.