Forças maiores que eu ordenaram que não atualizasse hoje.
Então deixo aqui, atualizado pero no mucho, só pra fazer número.
Descansarei, pois!
Ta-ta!
Forças maiores que eu ordenaram que não atualizasse hoje.
Então deixo aqui, atualizado pero no mucho, só pra fazer número.
Descansarei, pois!
Ta-ta!
E vejam só que merda: o blog não tem nem uma semana de vida, e eis que lhes apresento o primeiro post vazio de sua história.
Minha comparsa até me sugeriu um tema para o post de hoje – transportes públicos. Mas com eles eu já me irrito demais durante o dia, então não ía ter nada de realmente educado ou construtivos pra falar sobre eles aqui. Só como as pessoas que pegam ônibus por aqui são educadinhas pra cacete. Se eu fosse Holden Caulfield, diria que são “uns príncipes”.
Aliás, pegar ônibus pra ir pro trabalho de manhã me rende a minha meia hora de ódio de todas as manhãs. Todo dia tenho cerca de trinta minutos para despejar todo o meu ódio pelas pessoas educadinhas. Desse jeito, ter de correr atrás do ônibus pra não ter que esperar quase meia hora por outro parece até gostoso.
Quem mandou não votar no cara do aerotrem? Toma.
E como deus é pai, não padastro como algumas correntes teológicas podem sugerir, amanhã é sexta-feira. “Alegria, alegria”, como diria o antológico miskoto. Quero mais é que essa semana acabe pra eu poder dormir.
Então taí. Boa noite e boa sorte.
Já foi publicado há algum tempo aqui no Brasil um livro chamado Como Trabalhar para um Idiota, ou coisa parecida.
Vejam: não sei de que se trata o livro, uma vez que nunca o li. Também não faço a menor idéia de quem o escreveu, e sinceramente minha preguiça é maior do que minha vontade de conhecer a identidade de tal pessoa. Posso supor, porém, que se ela mesma não se tornou um idiota, deve estar encontrando problemas para arrumar emprego.
De qualquer maneira.
Apesar de não ter lido o livro, e meu interesse em fazê-lo é o mesmo de procurar o nome do autor nesse exato momento, tenho uma dúvida sobre ele. Os Idiotas titulares, de que tipo são?
Nesse mundo, assim como existem dois tipos de intelectuais (assunto sobre o qual devo discorrer numa oportunidade futura), também existem duas modalidades básicas de idiotas: os Idiotas verdadeiros e os Idiotas pau-no-cu. Acredito eu que mesmo quem se encaixa numa dessas duas categorias pode supor, só de ler o título, do que elas falam. Mas vou explicar mesmo assim – me sinto especialmente disposto essa noite.
Um idiota verdadeiro é aquele que abraça a idiotice com a alma, torna-a um estilo de vida. São pessoas que, por algum capricho cruel da natureza ou acidente do destino, veio parar nessa Terra de merda com seu cérebro menos operacional que os dos demais. Pior que isso: ele não usa devidamente seu esponjoso órgão cabeçal e nem faz questão disso. É daqueles que veste a camisa, tem amor ao time.
Já o idiota pau-no-cu é a pessoa que, apesar de ter todas as suas funções cerebrais funcionando em perfeita harmonia – e não raro poderia dar um banho de conhecimento num idiota verdadeiro, fosse o assunto Literatura, Matemática, Física ou Biologia – teima em portar-se como um completo imbecil no âmbito comportamental. Ele toma seu conhecimento como símbolo de um pequeno poder, que deve ser exercido a todo segundo possível e afetar todos que estão em sua volta. Chega a ser incômodo como um falo inserido num reto, como o nome sugere.
Minha opinião? Os Paus-no-Cu são bem piores.
Por que ser um idiota verdadeiro é circunstância ou preguiça. Pra ser pau-no-cu, precisa ter talento, força de vontade, vocação. É como aquela: Não basta ser pai, tem que participar. E como a população que se encaixa na categoria cresce cada vez mais no mundo, sugiro a produção de novos livros. Algo do tipo: Como ser Mãe de um Idiota, Como ser Filho de um Idiota, Como ser o Cachorro de um Idiota etc.
Pobres cachorros.
Eu secretamente me gabo de andar rápido.
Lançar minhas pernas grandes uma atrás da outra, cobrindo uma larga área geográfica e em ritmo acelerado e compassado, deixando todo mundo na rua pra trás. Eu aposto corrida com os transeuntes, e eles nem sabem disso.
Quando eu ando sozinho é que esse potencial se expõe ao máximo, porém. Motivado geralmente pelo ônibus que está para passar e me levar ao trabalho, ou o outro ônibus que (nem sempre) está esperando no terminal para voltar pra casa tarde da noite, eu exibo minha marcha essencialmente troglodita e faço o maior trajeto no menor tempo (que me é) possível.
Andar acompanhado é outro papo. Seja acompanhado de minha querida mãe, de um amigo com problema nas costas ou da mulher da minha vida – que por ser nada troglodita, não compartilha do meu gosto pelo extreme walking – prefiro me conter. Não por restrição física ou obrigação moral, pela simples vontade de estar sincronizado com pessoas com as quais vale a pena se sincronizar.
Concluo, então, que a vida é assim mesmo. Uma das raras graças desse suposto trajeto de merda é encontar pessoas que façam a gente dar mais importância à viagem do que ao ponto de destino, e não se importar de demorar um pouco mais a chegar. Veja: a viagem vai ser tão boa do lado dessas pessoas que a gente não vai dar a mínima se ela for longa.
O lugar onde se chega é mera conseqüência da viagem que se faz. Melhor então que essa viagem seja agradável, sim?
Lembrem-se: destino é conseqüência.
I love it when we’re cruising together.
Hoje, eu pretendia falar sobre caminhões, onças pintadas e cachos de banana. Mas no final das contas, achei mais pertinente sentar e escrever sobre crianças.
Se existe algo nesse mundo que não é bonitinho nem que a vaca tussa são crianças. Filhotes de cachorro, gatos, peixes, patinhos de borracha. Deus, chame a alta da Bolsa de Valores de bonitinha, mas não ouse dizer isso sobre crianças.
Bebês são bonitinhos. Eles choram alto pra doer, mas são bonitinhos. E o “ser bonitinho” reside no fato de que nesse período da vida são os adultos que estão ainda no controle. Claro, é necessário satisfazer todo tipo de vontade da nova vida que acaba de nascer, seja isso uma careta pra fazer o pimpolho rir ou trocar suas fraldas porque ele acabou de se borrar todo. Mas eles são bonitinhos.
Não crianças. Ouso dizer que, a partir do momento em que aquele que um dia foi apenas um espermatozóide no saco de seu pai começa a falar, a coisa desanda em proporções homéricas. Repare: não estou dizendo que todo ser humano na faixa dos 3, 4, aos, sei lá, 7, 8 anos é como uma cria do inferno, não. Estou dizendo que a maioria é. E quando digo isso, quero dizer que nunca vi um que não fosse. Eu incluso.
Nunca fui e não sou pai. Mas fui e continuo sendo filho de um pai durão e de uma mãe carinhosa, ambos extremamente pacientes. E por essa experiência própria, em verdade vos digo que ser criança é um pé no saco para todos que a cercam. Com todos seus choros falsos, esperneios de fazer inveja a qualquer B-Boy, ou gritarias.
Crianças nessa idade são egoístas e reclamonas, exatamente como os adultos. A diferença é que alguns desses adultos contêm seus impulsos sob medo de repreensão policial e detenção. No caso dos pimpolho, costumam-se usar chineladas e puxões de orelhas, apesar de eu pessoalmente não ser adepto desse tipo de coisa.
As crianças são assim por natureza. E não têm culpa, coitadas. São vítimas do sistema, como os adultos chorões. Mais fácil seria se esses serezinhos pulassem essa fase da vida, entrassem num limbo dimensional e saíssem já prontos para conter seus impulsos reclamatórios e com a habilidade de, na impossibilidade de comprar aquele brinquedo ou comer aquele doce, pelo menos rir da própria desgraça.
Acho que fatalmente um dia vou acabar sendo pai, mas pelo menos aí vai ter alguém pra me ajudar a sentir orgulho daquilo que produzimos. E vai ver essa é a graça toda do negócio.
E há quem dizia que aquela tecladista do Hanson era bonitinha.
- Mas é um cara
- É?
- É
Uma das coisas mais importantes que eu aprendi na minha primeira três-quartos-de-faculdade, é que é absolutamente desnecessário ter conhecimento aprofundado sobre qualquer coisa. Metade delas é fruto do bom senso de qualquer maneira, e é só não ser um vegetal pra poder percebê-las.
Com um pouquinho de retórica (que nem precisa ser tão boa assim, veja que estamos falando de universidades brasileiras) e informações esparsas sobre o assunto que se quer abordar, é possível passar tranquilamente por qualquer prova que não exija cálculos, ou qualquer conversa casual com pessoas que acham que sabem de tudo.
Por isso mesmo eu admiro cientistas (no sentido mais “físicos-matemáticos-pesquisadores-e-pessoas-de-jaleco-em-geral” possível) em geral. O pensamento lógico e straightforward me fascina. Números, variáveis, sinais e leis invisíveis – porém insistentemente presentes – me dão dor de cabeça. Prefiro libertar, pois, as pobres letrinhas das fórmulas e deixar que elas se moldem livremente na forma de palavras. E pensar tudo de formas erradas e divertidas.
Eu nunca conseguiria ser um cientista. Meu cérebro não é disciplinado o suficiente para isso.
Na minha primeira-três-quartos-defaculdade, eu também aprendi que coxinhas com recheio de frango e cheddar também são muito gostosas.
A história é mais ou menos assim: a pessoa nasce, cresce, passa pela escola, luta Full Contact com o colegial, entra numa faculdade, pula pra outra, encontra a mulher da sua vida e vive feliz para sempre. Claro que não é só isso, mas por enquanto é o suficiente.
Um autor cujas obras eu gosto muito disse num livro: “Estar vivo é uma merda”. Eu concordo, em partes. Veja: estar vivo só é uma merda porque o mundo onde a gente vive é uma merda, um lugar cheio de gente bastante mal-educada.
Em contrapartida, só estando vivo a gente consegue ver que esse mundo, que essencialmente é uma merda, traz seus benefícios. Como encontrar a mulher da sua vida e viver feliz para sempre.
O que tem que deixar de ser uma merda primeiro, então? No fim das contas, o melhor que se tem a fazer é reunir o mais rápido possível o maior número de coisas que se achar de bom e montar o seu próprio mundo. E esse fatalmente será um lugar bem mais aprazível.
Claro que não é só isso, mas acho que já é o suficiente.